Share
Explore

Organismos bentônicos

EN
Edson Costa N
ORGANISMOS BENTÔNICOS
Os organismos fitoplanctônicos são os principais produtores de alimento dos oceanos e a maior parte de sua produção é consumida por outros organismos pelágicos. Entretanto, uma parte desta produção, prin cipalmente na forma de pelotas fecais e detritos, se deposita no leito oceânico e sustenta um abundante e diversificado conjunto de organismos bentônicos. A fotossíntese somente é possível nas camadas superfici ais do ambiente marinho e os vegetais bentônicos, desta forma, só podem viver em profundidades máxi mas entre 30 e 100 metros, i.e. eles estão confinados às zonas entremarés e infralitoral dos oceanos (com exceção de algumas algas vermelhas que podem viver a 240 m de profundidade). O bentos, portanto, é composto principalmente de bactérias e animais. Na estreita faixa dos oceanos em que as plantas podem viver, as seguintes categorias podem ser reco nhecidas: A – comunidades de angiospermas semi-aquáticas; B – comunidades de angiospermas perma nentemente submersas; C – algas talosas e filamentosas fixas a substratos duros e D – algas unicelulares e formas filamentosas associadas a sedimentos não consolidados. O zoobentos, contudo, é um conjunto diverso e extremamente rico de animais pertencentes aos mais diferentes grupos zoológicos. Estes grupos podem ser classificados de acordo com o tamanho dos indiví duos. Esta é uma classificação pragmática baseada no tamanho da malha de peneiras usadas para sepa rá-los do sedimento. Animais retidos por uma peneira de malha de 0,5 mm compreendem o macrobentos. Animais pequenos o bastante para passar por uma peneira com malha de 0,5 mm, mas grandes o suficiente para ficarem retidos por uma malha de 0,062 mm são referidos como meiobentos. Os membros do meio bentos não são grandes nem fortes o suficiente para se enterrar no sedimento, mas vivem dentro destes, nos espaços intersticiais entre as partículas que compõem o sedimento. Os nematódios estão entre os grupos mais frequentes, podendo ser encontrados centenas por centí metro quadrado. Muitos desses organismos são consumidores de depósito, outros “pastam” sobre organis mos fixos às partículas do sedimento e outros predam os animais intersticiais. Outros táxons importantes são os copépodos harpacticóides, arquianelidas, poliquetas, turbelários, gastrotricos e tardígrados. Existe ainda, uma população temporária de larvas e juvenis de membros da macrofauna que passam seus estágios iniciais do ciclo de vida nesse ambiente. Finalmente, existe o microbentos, incluindo bactérias, protozoári os e microalgas que passam por uma peneira de 0,062 mm de malha. As microalgas mais importantes são diatomáceas epipsâmicas. O termo megafauna é usado para aqueles organismos capturados com rede de arrasto e que possuem dimensões avantajadas. Alguns autores determinam que nesta categoria estariam incluídos organismos maiores que 2 cm. As figuras 13.2 e 13.3 mostram a relação das diversas classes de tamanho de organismos bentônicos com a abundância, densidade e biomassa. Outro sistema de classificação bastante utilizado divide o zoobentos conforme o habitat preferencial que este ocupa. A infauna ou endofauna inclui todos aqueles organismos que escavam ou se encontram enterrados no sedimento ou nas rochas; estes são mais abundantes e diversificados em substratos não-consolidados. A en dofauna de substratos duros é representada por organismos que perfuram quimicamente ou mecanicamente rochas e madeiras. A endofauna de sedimentos, além de escavar o substrato, constrói túneis, galerias, tubos e outros tipos de abrigos. A epifauna inclui espécies que vivem ou se locomovem sobre o substrato e são mais adaptadas a viver em substratos consolidados, podendo ser fixos ou ter hábito sedentário ou vágil. Ainda classificados pelo habitat preferencial, existem os organismos mesobentônicos, que são aque les que vivem em espaços reduzidos do sedimento, tal como os espaços intersticiais dos grãos sedimentares (pequenas fissuras nas rochas, no caso de sedimento consolidado). O modo de alimentação permite descrever o mecanismo pelo qual o alimento é transferido do ambi ente para o organismo. A inclusão de um determinado organismo em uma categoria específica não signifi ca, porém, que esse organismo não possa se alimentar de outro modo. Existem vários organismos que apresentam uma sobreposição quanto aos diferentes modos de alimentação. Os modos podem ser defini dos a partir do tamanho da partícula alimentícia e de sua composição. Os macrófagos são organismos que manipulam apenas uma partícula alimentar com todas as estruturas de apreensão em ação. Os micrófagos manipulam partículas reunidas em uma massa. As partículas individuais só são manipuladas por parte das estruturas de apreensão.
Want to print your doc?
This is not the way.
Try clicking the ⋯ next to your doc name or using a keyboard shortcut (
CtrlP
) instead.